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Dakar 2010


12ª participação a partir de 1 de Janeiro

 

Carlos Sousa com regresso ambicioso ao Dakar

 

Sendo o mais bem sucedido piloto nacional de todo-o-terreno, Carlos Sousa é uma das maiores esperanças

portuguesas para o Dakar 2010. Os objectivos passam por terminar num dos 10 primeiros lugares e por se

intrometer na luta com as favoritas equipas oficiais, sempre que o factor humano se sobreponha ao técnico.

Uma participação que coincide com os 20 anos de carreira, desta vez aos comandos de um Mitsubishi Racing

Lancer, ex-equipa oficial. A partida está marcada para o próximo dia 1 de Janeiro, na cidade de Buenos

Aires.

Em Portugal já soma quatro títulos nacionais absolutos e um recorde de 21 vitórias à geral, mas a carreira de

Carlos Sousa sempre teve o mérito de não se esgotar em território nacional... No Dakar contabiliza 11

participações, apenas com uma ausência no pódio final, terminando seis vezes classificado nos 10 primeiros –

com destaque para o quarto lugar conquistado na edição de 2003 – podendo ainda orgulhar-se de cinco

triunfos à geral em etapas. Números que o confirmam como um dos melhores e mais respeitados pilotos de

todo-o-terreno mundiais e que, em bom rigor, o “obrigam” a prolongar a ligação à história contemporânea do

Dakar, ainda que com um estatuto que até ele estaria disposto a renunciar...

Mas antes da história que confirma a expressão do parágrafo anterior, vamos aos factos essenciais em que

assenta a participação de Carlos Sousa no Dakar 2010... A 12ª vez em que se vai apresentar à partida do maior

rali do Mundo vai ser aos comandos de um Mitsubishi Racing Lancer MRP 10 da JMB Stradale Off Road,

precisamente a equipa que adquiriu toda a antiga estrutura humana e técnica da ex-equipa oficial Mitsubishi.

Um ambicioso projecto que, mesmo sem argumentos financeiros e técnicos para rivalizar com as poderosas

formações oficiais, ainda assim está longe de querer assumir um papel secundário durante as duas semanas e

cerca de nove mil quilómetros de prova.

“Tenho como objectivo terminar o Dakar 2010 num dos dez primeiros lugares, mas admito que, em algumas

etapas, também gostava de me intrometer entre as equipas oficiais”, começa por confessar Carlos Sousa.

Perspectivas ambiciosas corroboradas no discurso de Dominique Serieys, lendário director desportivo da

Mitsubishi, que aceitou o repto para desempenhar o papel de consultor e “team-manager” deste novo

projecto: “Com a sua experiência, as suas capacidades técnicas e o seu ritmo, o Carlos Sousa é,

naturalmente, um dos pilotos que pode conseguir o melhor resultado para a JMB Stradale. Apesar do valor

dos restantes pilotos, a verdade é que ele tem tudo para ser a nossa grande aposta neste ano de estreia”,

antevê Serieys.

No entanto, são várias as condicionantes com que o piloto de Almada se apresenta à partida desta edição. Os

vários meses de inactividade, ditados pela operação a uma hérnia discal a que foi submetido no último Verão;

ser a primeira vez em que vai participar na versão sul-americana do Dakar; e o facto do Mitsubishi Racing

Lancer MRP 10 não conseguir rivalizar com os vários Volkswagen e BMW oficiais, até por estar agora equipado

com um motor a gasolina. Afinal, foram os diesel a monopolizar o lugar mais alto do pódio na última edição...

 

 

2

Condicionalismos que, apesar de tudo, não esmorecem a confiança e determinação de Carlos Sousa: “Vou

partir bastante motivado, e se nas primeiras etapas é natural que acuse o desconhecimento do terreno e

alguma falta de ritmo, com o decorrer da prova espero melhorar e estar já próximo dos mais rápidos. A

tradicional fiabilidade do Mitsubishi pode ser um trunfo importante, pelo que estou confiante de que posso

fechar a comemoração destes 20 anos de carreira com mais um bom resultado no Dakar”.

E se a tradição diz que o Dakar é sinónimo de bons resultados para Carlos Sousa, já que apenas não chegou ao

fim em uma das 11 edições em que se apresentou à partida, a verdade é que esse “estatuto” tem a

particularidade de lhe ser desfavorável. Sim, por ironia do destino, o estatuto é um dos maiores adversários de

Carlos Sousa neste Dakar 2010. A justificação é simples: o português vai ser o único – sim, o único! – a alinhar

na prova com uma viatura a gasolina limitada por um restritor de 32mm no motor, em vez do de 34mm com

que vão partir todos os restantes pilotos, e uma caixa de apenas cinco relações, ao invés da de seis

velocidades.

A razão tem tanto de estranho como de surprendente: as formações oficiais da Volkswagen e X-Raid

impuseram à Organização que Carlos Sousa – e apenas Carlos Sousa! – alinhasse com este insólito “handicap”.

Insólito porque nem sequer os restantes quatro Mitsubishi Racing Lancer MRP 10 que integram a equipa JMB

Stradale Off Road alinham com estas especificações, utilizando antes um restritor de 34mm e uma caixa de

seis velocidades. “Enalteço o enorme ‘fair-play’ do Carlos ao aceitar participar nestas condições, mas a

diferença de andamento para os outros carros, infelizmente, será real, representando uma perda de 30

cavalos e 25 km/h de velocidade de ponta”, pormenoriza Dominique Serieys, “team-manager” da equipa.

Carlos Sousa confessa que “é algo que não se compreende e que ninguém foi capaz ainda de explicar. Mas

aceitei as regras do jogo a partir do momento em que decidi estar à partida do Dakar 2010. O Dakar é a

minha prova de eleição e confesso que sofri com a anulação da edição de 2008 que estava prevista para

partir de Lisboa. Mas se há muitos anos o desafio de África alterou a minha vida, a mudança de continente

não mudou a essência do Dakar: uma competição única e também uma luta cada vez mais animada entre os

melhores pilotos do mundo”.

Quanto ao desafio que representa o Dakar 2010, Carlos Sousa admite que “sempre tive interesse em um dia

regressar à prova. E como a proposta que os responsáveis da JMB Stradale apresentaram foi irrecusável, foi

relativamente fácil chegar a acordo”. Afinal, o interesse era mútuo, como facilmente se depreende das

declarações de Dominique Serieys: “Logo que o Nicolas (Misslin) constitui a equipa, tornou-se claro para mim

que o Carlos Sousa seria uma mais-valia, pelo que enveredei todos os esforços para poder contar com ele”.

Ainda em relação à aposta na equipa, Carlos Sousa admite que, “na decisão, foi importante eu conhecer a

maior parte das pessoas que integram a estrutura. É evidente que os meios não são objectivamente os

mesmos de quando a equipa era oficial, mas ainda assim não deixa de ser um grande desafio. Acredito na

equipa e estou a par do trabalho que tem sido feito em termos fiabilidade, mas também na evolução de

alguns órgãos vitais”.

 

 

3

A decisão da equipa em alinhar no Dakar com o Mitsubishi Racing Lancer equipado com um motor a gasolina e

não com o modelo a diesel com que Carlos Sousa dominou a primeira metade do Campeonato de Portugal de

Todo-o-Terreno prende-se “com questões relacionadas com os custos de manutenção, mas também de

fiabilidade”, explica o piloto nacional. “Um pormenor importante, na medida em que as características de

um motor diesel fazem toda a diferença numa prova como o Dakar”.

O francês Matthieu Baumel ocupará nesta edição a “backet” do lado direito do Mitsubishi Racing Lancer de

Carlos Sousa, ele que foi o antigo co-piloto de Guerlain Chichérit na equipa X-Raid. Gorada a hipótese de

reeditar a dupla com Andreas Schultz, pelo facto do alemão já há vários meses ter assinado um compromisso

com um piloto russo, a escolha pelo navegador francês acabou por ser natural, sendo o nome referenciado

pela equipa e sugerido pelo próprio Dominique Serieys. “Ainda ponderei fazer o convite a um navegador

português, mas a opção pelo Matthieu acaba por ser a mais lógica, até pelo facto dele ter disputado o

último Dakar e ter já alguma experiência nas pistas da América do Sul”, justifica Carlos Sousa.

“Apesar de nunca termos corrido juntos, estou convencido do seu talento como piloto. Tem uma forma

muito própria de conduzir que me inspira confiança. Pessoalmente, vai ser uma honra poder partilhar com

ele o Mitsubishi Racing Lancer nos primeiros 15 dias de Janeiro”, afirma o navegador francês, de 39 anos.

O Dakar 2010 será sinónimo de aventura, um autêntico épico. Uma aventura sem paralelo, em que só os

cenários mudaram com a opção pela América do Sul. Mais uma vez será uma corrida de resistência,

capacidade, inteligência e coragem, onde a “meta” é apenas a primeira vitória a alcançar. No fundo, o espírito

incontornável do Dakar, “uma prova que tem sempre pelo menos 50 por cento de margem erro quanto aos

prognósticos e onde um resultado nunca está verdadeiramente garantido, se não no pódio final”, afirma

Carlos Sousa.

A 32ª edição do Rali Dakar será disputada pelo segundo ano consecutivo na Argentina e no Chile, entre 1 a 17

de Janeiro próximo, contando com nada menos do que 9.030 quilómetros de percurso total, sendo 4.810

cronometrados, divididos por 14 etapas, e 4.220 em ligação.

Serão 939 km de dunas, 3.178 em pistas de terra e 689 em caminhos de… pedras.

Lisboa, 23 de Dezembro de 2009

 

 

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1. O PILOTO # CARLOS SOUSA

UMA CARREIRA INCONTORNÁVEL

O nome quase dispensa apresentações e o palmarés desportivo fala por si.

Unanimemente reconhecido como o mais bem sucedido piloto português da história da modalidade e

apontado como um dos grandes valores do todo-o-terreno a nível internacional, Carlos Sousa estreou-se na

competição em 1989, ao volante de um UMM.

Actualmente a comemorar 20 anos de uma longa e bem sucedida carreira desportiva, Carlos Sousa prepara-se

para regressar no próximo dia 1 de Janeiro de 2010 à principal prova do calendário mundial da disciplina.

Recordista de vitórias à geral (21) no plano nacional e único a poder exibir quatro títulos absolutos no seu

palmarés, Carlos Sousa só por manifesta infelicidade não confirmou no final desta época o ambicionado

pentacampeonato, sendo forçado a faltar às últimas três provas do calendário por razões de ordem médica.

Mas é indubitavelmente no plano internacional que os feitos de Carlos Sousa atingiram um outro patamar de

notoriedade e mediatismo, bastando recordar que foi o primeiro piloto português a vencer uma prova da Taça

do Mundo FIA de Todo-o-Terreno e também o primeiro a trazer para Portugal este importante galardão,

juntamente com mais duas taças da Europa FIA de Bajas e um troféu Ibérico.

Porém, foram as sucessivas participações no Rali Dakar a conferirem-lhe, em definitivo, o actual estatuto

desportivo e a enorme popularidade que conquistou junto do público português – quase ao nível de um herói

nacional.

1.1 PRESENÇAS NO DAKAR # 11 DESDE 1996

Desde a sua estreia em 1996, Carlos Sousa conta já 11 participações no maior e mais mediático rali do mundo,

exibindo como melhor resultado um quarto lugar alcançado em 2003. De destacar ainda um quinto lugar em

2001 e 2002 e um sétimo nas edições de 2005, 2006 e 2007, para um total de seis resultados no “top-10” final.

Sublinhando a sua enorme regularidade, atingiu o palanque final por dez vezes em 11 possíveis, vencendo pelo

meio cinco etapas à geral, a última delas em 2007 na especial inaugural do Lisboa-Dakar.

Anulada a edição de 2008 e falhada a presença em 2009, é chegada a hora de Carlos Sousa retomar a história

e atravessar pela primeira vez o Atlântico em busca de um resultado condizente com o seu passado desportivo

e as suas legítimas ambições na prova que o ajudou a celebrizar.

“Vou inserido numa equipa privada e com algumas limitações no carro impostas pelo regulamento. Apesar

deste ‘presente envenenado’, a minha ambição é tentar um resultado dentro do top-10”, precisa Carlos

Sousa.

 

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1.2 O NAVEGADOR # MATTHIEU BAUMEL

Para esta sua primeira participação no Dakar sul-americano, Carlos Sousa terá como colega de equipa no

Mitsubishi Racing Lancer o francês Matthieu Baumel, antigo co-piloto de Guerlain Chichérit na equipa X-Raid.

Gorada a hipótese de reeditar a dupla com o alemão Andreas Schultz, a escolha pelo navegador francês

acabou por ser natural, sendo o nome referenciado pela equipa e sugerido pelo próprio Dominique Serieys.

“Ainda ponderei fazer o convite a um navegador português, mas a opção pelo Matthieu acaba por ser a

mais lógica, até pelo facto dele ter disputado o último Dakar e ter já alguma experiência nas pistas da

América do Sul”, justifica Carlos Sousa.

Com um passado desportivo iniciado nos ralis, em 1997, Matthieu Baumel é hoje proprietário de uma Escola

de Formação de Navegadores, em França. Antigo co-piloto oficial da Peugeot Sport no Campeonato local,

Baumel chegou a disputar alguns ralis do Mundial em 2005, acompanhando o compatriota Brice Tirabassi.

Ao lado de Guerlain Chichérit, estreou-se no Barcelona-Dakar em 2006, num Bowler oficial. Até Janeiro deste

ano manteve a ligação ao rápido piloto francês, integrando a equipa semi-oficial da X-Raid e atingindo por

duas vezes o nono lugar da classificação final do Dakar, respectivamente em 2006 e 2009.

“Vou partir para este Dakar com um piloto de renome como o Carlos Sousa”, comentou Matthieu Baumel.

“Apesar de nunca termos corrido juntos, estou convencido do seu talento como piloto. Tem uma forma

muito própria de conduzir que me inspira confiança. Pessoalmente, vai ser uma honra poder partilhar com

ele o Mitsubishi Racing Lancer nos próximos 15 dias”, concluiu o navegador francês, de 39 anos.

 

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2. A EQUIPA # JMB STRADALE OFF ROAD

NOVO ESTATUTO, A MESMA AMBIÇÃO

Após 27 presenças e 12 vitórias no mítico Rali Dakar, sete delas de forma consecutiva (entre 2001 e 2007), a

equipa de fábrica da Mitsubishi Motors Corporation (MMC) deu lugar, em Outubro passado, a uma nova

estrutura baptizada de JMB Stradale Off Road.

Beneficiando de todo o “know-how” técnico e humano da ex-equipa oficial da Mitsubishi, desde os carros, às

instalações, o pessoal técnico e até o seu antigo director desportivo, a JMB Stradale Off Road apresenta-se em

estreia absoluta neste Dakar 2010, colocando cinco Mitsubishi Racing Lancer MRP 10 à partida de Buenos

Aires, no próximo dia 1 de Janeiro de 2010.

Fundada em 1985 por Jean-Michel Bouresche, a JMB Racing ostenta no seu currículo nada menos do que 14

títulos na Velocidade, dos quais três no Mundial de Sport Protótipos (1998, 1999 e 2000) e um no Campeonato

N-GT FIA, em 2001. Desde 2006, tornou-se na primeira equipa a competir no exigente Campeonato FIA-GT a

obter a certificação ISO 9001:2000, reconhecimento pela qualidade do trabalho desenvolvido pela JMB

Stradale.

Aproveitando o seu capital de experiência e vendo no todo-o-terreno uma nova oportunidade de negócio, a

JMB Stradale deu um importante e gigantesco passo no passado dia 29 de Outubro, adquirindo toda a

estrutura da Mitsubishi Motors Motorsport e constituindo a JMB Stradale Off Road.

Sedeada em Boz, França, no mesmo local que servia de quartel-general à antiga MMSP, a JMB Stradale Off

Road é hoje uma realidade graças à paixão e espírito empreendedor de Nicolas Misslin, 29 anos, piloto e

dinâmico empresário de Marselha.

 

2.1 O DIRECTOR DESPORTIVO # DOMINIQUE SERIEYS

Fundamental nesta transição, Dominique Serieys, lendário director desportivo da MMSP, aceitou o repto de

Nicolas Misslin e passou a desempenhar o papel de consultor e “team-manager” da nova equipa.

Experiente como poucos (chegou a vencer o Dakar como co-piloto), foi o grande estratega da impressionante

série de vitórias da equipa Mitsubishi e o principal responsável por atrair Carlos Sousa para a JMB Stradale Off

Road.

“Logo que o Nicolas (Misslin) constituiu esta equipa, tornou-se claro para mim que o Carlos Sousa seria uma

mais-valia, pelo que enveredei todos os esforços para poder contar com ele neste próximo Dakar”, confessa.

“Com a sua experiência, as suas capacidades técnicas e de pilotagem e o seu ritmo, é naturalmente um dos

pilotos que pode conseguir o melhor resultado para a JMB Stradale. Apesar do valor dos restantes pilotos, a

verdade é que o Carlos tem tudo para ser a nossa grande aposta neste ano de estreia”, reforça Serieys.

 

 

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2.2 OS PILOTOS

Juntamente com Carlos Sousa, apontando como o natural chefe-de-fila desta jovem mas ambiciosa formação,

completam o “line-up” da JMB Stradale Off Road o francês Nicolas Misslin, o argentino Orlando Terranova, o

brasileiro Guilherme Spinelli e o também português Miguel Barbosa, curiosamente, já seu antigo colega de

equipa na Mitsubishi Motors de Portugal e no Team Dessoude.

Nº Piloto/Co-Piloto Carro

311 Orlando Terranova/Pascal Maimon Mitsubishi Racing Lancer MRP 10

314 Carlos Sousa/Matthieu Baumel Mitsubishi Racing Lancer MRP 10

318 Nicolas Misslin/Jean-Michel Polato Mitsubishi Racing Lancer MRP 10

322 Guilherme Spinelli/Filipe Palmeiro Mitsubishi Racing Lancer MRP 10

332 Miguel Barbosa/Miguel Ramalho Mitsubishi Racing Lancer MRP 10

2.3 OBJECTIVOS DA EQUIPA

De acordo com Nicolas Misslin, simultaneamente patrão e piloto da equipa, “vamos apresentar-nos neste

Dakar com muita ambição, mas também conscientes de que o nível dos restantes competidores,

particularmente os oficiais, prenuncia uma grande luta no terreno”.

Atribuindo o principal favoritismo aos carros diesel das equipas de fábrica, Dominique Serieys estabelece

como objectivo “colocar um dos nossos carros no top-5 da classificação geral e talvez mais um ou outro

incluído no top-10 final. Enfim, é preciso recordar que já não somos uma equipa oficial com meios

ilimitados, mas antes uma estrutura privada que depende dos seus clientes”, concluiu.

2.4 MEIOS TÉCNICOS E HUMANOS

Além dos cinco carros de corrida, os Mitsubishi Racing Lancer MRP 10, a equipa terá no terreno o apoio

técnico e logístico de um camião 6X6 de assistência rápida (inscrito na categoria T4), quatro camiões 4X4 para

transporte de peças e mecânicos e ainda quatro jipes de apoio e um quinto para Imprensa.

Incluindo já os cinco pilotos e respectivos co-pilotos, a estrutura humana da JMB Stradale para este Dakar

2010 será constituída por 49 elementos no total.

A título de curiosidade, refira-se que a JMB Stradale Off Road tem previsto utilizar 24 mil litros de gasolina e

340 pneus para os cinco carros que disputarão a prova.

Em resumo:

_ 49 pessoas no total

_ 4 viaturas de assistência

_ 1 viatura de Imprensa

_ 5 camiões de assistência

_ 1 camião de corrida

_ 5 Racing Lancer (viaturas de corrida)

 

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3. O CARRO # MITSUBISHI RACING LANCER

NOME DE CÓDIGO: MRP 10

Apesar de não constituir propriamente uma novidade para Carlos Sousa, visto ser o carro em que apostou

neste seu ano de regresso ao Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, o Mitsubishi Racing Lancer inscrito

pela JMB Stradale Off Road neste Dakar 2010 terá algumas importantes novidades técnicas que importa

dissecar.

Apresentado pela primeira vez no Salão de Paris 2008 e estreado mundialmente em competição na Baja

Portalegre 500 desse ano, o Mitsubishi Racing Lancer foi o último modelo a ser desenvolvido pelo

Departamento de Competição da MMSP, colocando um ponto final na longa dinastia do Pajero (1983 a 2003)

e Pajero Evolution (2004 a 2008).

Herdando do seu antecessor grande parte da tecnologia, o novo Racing Lancer rompeu com o passado em

várias áreas, a começar pelo desenho revolucionário (baseado no Lancer Sportback) e a terminar na nova e

inédita motorização turbo diesel (um V6 de 3,0 de capacidade).

Após uma estreia algo atribulada no último Dakar, o Mitsubishi Racing Lancer seria a escolha de Carlos Sousa

para participar no Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno deste ano. Superando todas as expectativas,

somou por vitórias as suas três primeiras participações, sendo actualmente o piloto mais vitorioso do mundo

ao volante deste carro.

3.1 NOVA MOTORIZAÇÃO # GASOLINA NO LUGAR DO DIESEL

Interrompido o desenvolvimento do Racing Lancer após o anúncio de retirada da equipa oficial Mitsubishi, a

JMB Stradale Off Road decidiu introduzir algumas alterações ao projecto, abandonando o ainda pouco

evoluído motor turbo diesel e passando a equipar o Racing Lancer com o comprovado V6 de 4 litros a gasolina,

responsável, tão só e apenas, pelas últimas sete vitórias do construtor japonês no Rali Dakar.

“Apostamos no motor a gasolina, o mesmo que equipava os antigos Pajero Evolution, essencialmente por

uma questão de custos. E, claro, também porque o actual bloco diesel estava ainda numa fase muito inicial

do seu desenvolvimento, ao contrário do que acontecem com as unidades que equipam as duas equipas

oficiais do pelotão”, justifica Nicolas Misslin, patrão e piloto da JMB Stradale Off Road.

“Finalmente, porque confiamos nas potencialidades e fiabilidade do antigo bloco a gasolina. E queremos

mostrar isso mesmo nas etapas mais difíceis deste Dakar”, reforça Misslin.

Revista a motorização, o Racing Lancer recebeu igualmente uma nova caixa de velocidades e pequenas

evoluções em alguns órgãos vitais, como as suspensões e os travões, passando a adoptar a designação oficial

de Mitsubishi Racing Lancer MRP 10.

 

 

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3.2 O REGULAMENTO # FORTE HANDICAP

Numa tentativa de diminuir o habitual fosso entre equipas oficias e amadoras, a Organização do Rali Dakar

introduziu este ano algumas novidades importantes no regulamento técnico das categorias Auto e Moto.

Assim, ao nível dos automóveis, estipulou que os veículos propulsionados com motor a gasolina (mais de 2

válvulas/cilindro) estão autorizados a aumentar o tamanho da válvula de admissão do ar de 32 para 34 mm,

mantendo-se intacta a regulamentação para os motores turbo diesel.

Mas o que na teoria poderia constituir uma excelente notícia para Carlos Sousa rapidamente se transformou

num verdadeiro “balde de água fria”.

Por decisão da Organização e em consequência da pressão exercida pelos directores desportivos das duas

equipas oficiais, Carlos Sousa foi colocado na lista de Pilotos Prioritários (ou Super-Pilotos), estabelecida pela

ASO em conjunto com as equipas da VW e BMW X-Raid, tendo por base os resultados nas últimas edições do

Rali Dakar e nas provas que integram a Taça do Mundo.

O problema é que Carlos Sousa disputou o seu último Dakar em 2007 e há já algum tempo deixou de ser

presença regular em provas internacionais. “É algo que não se compreende e que ninguém foi ainda capaz de

explicar-me”, lamenta Carlos Sousa.

“Noutros tempos, talvez fosse um motivo de orgulho estar integrado nesta lista de super-pilotos, mas hoje é

um reconhecimento que dispensava de bom grado”, reforça Carlos Sousa.

Devido a este mal-entendido, Carlos Sousa será o único piloto de todo o pelotão a partir com um “handicap”

diferente e bem mais penalizador: restritor de 34mm (ao invés de 32mm) e caixa de apenas cinco relações

(contras as seis dos restantes carros).

“Enalteço o enorme ‘fair-play’ do Carlos ao aceitar participar nestas condições, mas a diferença de

andamento para os outros carros, infelizmente, será real, representando uma perda de 30 cavalos e 25

km/h de velocidade de ponta”, pormenoriza Dominique Serieys, “team-manager” da equipa.

3.3 FICHA TÉCNICA # MITSUBISHI RACING LANCER MRP 10

Motor: Mivec, 6 cilindros em V, 24 válvulas, DOHC

Potência: 270 cv (versão Carlos Sousa com restritor 32mm) e 300 cv/5.500 rpm (com restritor 34mm)

Binário: 417 Nm (42.5 kgfm)/4.500 rpm

Velocidade máxima: 170 km/h (versão Carlos Sousa com restritor 32mm) e 194 km/h (com restritor 34mm)

Depósito: 400 litros para autonomia de 800 km em ritmo de competição

Peso bruto: 1.825 kg

Comprimento: 4.475 mm

Largura: 1.990 mm

Altura: 1.850 mm

Pneus: BF Goodrich 235/85 – 16

Caixa: Ricardo, com 5 (para Carlos Sousa) ou 6 velocidades, sequencial, selecção mecânica

 

 

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4. A PROVA # ARGENTINA-CHILE DAKR 2010

A RAINHA DE TODAS PROVAS

Para a generalidade dos participantes, o Dakar transcende a competição desportiva: é uma experiência

humana única, o rali mais exigente do mundo.

Nascido em África, onde a lenda teve início, o Rali Dakar é, por natureza, conduzido pelo desconhecido. A

motivação para descobrir novos territórios impeliu os organizadores para novas direcções e novas

experiências.

Depois do Sahara, que sempre fascinou gerações de competidores, o desafio é agora a conquista de um novo

continente, a descoberta de novos desertos, novas pessoas e novos mundos.

Conjugação do rigor físico com a performance técnica, o rali avança em 2010 para a sua 32ª edição, juntando

pilotos de todos os cantos do mundo.

4.1 O PERCURSO # EMENTA VARIADA

A disputar pelo segundo ano consecutivo na Argentina e no Chile, entre 1 a 16 de Janeiro próximo, a 32ª

edição do Rali Dakar contará com nada menos do que 9.030 quilómetros de percurso total, sendo 4.810

cronometrados, divididos por 14 etapas, e 4.220 em ligação.

Serão 939 km de dunas, 3.178 em pistas de terra e 689 em caminhos de… pedras.

Sensível às críticas que se fizeram ouvir na última edição, a Organização procedeu a várias alterações no

figurino estreado em 2009, transferindo para o Chile o grosso do percurso cronometrado e propondo nada

menos do que cinco etapas em areia.

Embora mantendo a capital Buenos Aires como ponto de partida e chegada, o traçado inverterá o seu sentido

logo nos primeiros dias, deslocando-se agora para Norte através das cidades de Cordoba, La Rioja e Fiambala,

cruzando os Andes logo ao quarto dia de prova.

Chegados ao Chile, os participantes encontrarão rapidamente os primeiros trechos de areia branca, tendo

agora cinco dias para descobrir o temível deserto de Atacama, conhecido por ser o mais árido do mundo.

Descendo depois a costa do Pacífico em direcção a Santiago, o último terço do percurso será caracterizado

pela diversidade das pistas, num derradeiro teste à resistência de pilotos e mecânicas.

 

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